sexta-feira, 16 de setembro de 2016

MEIO POETA

 

No dia em que Poliana e André voltaram da lua-de-mel, Poliana chegou na casa dos pais e se trancou no quarto com a mãe. Precisava contar uma coisa e não queria que o pai ouvisse.

- O André é poeta, mamãe.

A mãe levou as mãos à boca.
- Minha Virgem Santíssima!
Depois perguntou:
- Como você descobriu?

- Na primeira noite. A lua estava cheia. Ele fez umas frases sobre a luz da lua no meu corpo.

- Mas você tem certeza que era poesia? Rimava?

- Não rimava, mas era poesia. Ele mesmo disse, mamãe! Eu perguntei "O que é isso?" e ele respondeu

 "Eu sou meio poeta".                                       

- Bem que seu pai desconfiou...

- Você acha que devemos contar ao papai?

- É claro. E agora.

O pai disse "Eu sabia" e determinou que chamassem André para se explicar. Poliana disse que André ficara de buscá-la ali depois do trabalho. Os três esperaram a chegada de André. A mãe, temendo algum excesso do pai, tentou amenizar a situação:                                         

- Ele disse que é só "meio" poeta...                           

 O pai não disse nada. Quando soou a campainha da porta, mandou que a filha fosse para o quarto. André cumprimentou os sogros efusivamente - era a primeira vez que os via depois da festa do casamento -  mas logo percebeu a frieza deles.

- O que foi? - perguntou.

- Você não nos contou que era poeta - disse o pai.

- Mas eu não...

- Não adianta negar. A Poliana nos contou. Você pensou que ela não nos contaria?

- Mas foi só um...

- Sei. Um poeminha. É assim que começa. Um versinho hoje, um versinho amanhã. Não demora você estará fazendo poemas épicos, odes a qualquer coisa, diariamente. Já vi acontecer. Acabará abandonando o emprego, roubando a

mesada da minha filha, para sustentar o hábito.

- Mas eu...

- Você vai dizer que pode parar quando quiser. É o que todos dizem.

- Meu filho - interveio a mãe, aflita, - você não se dá conta do mal que a poesia pode fazer?  Há quanto tempo você...

- Não interessa - interrompeu o pai - O que ele fez antes não nos interessa. Mas agora está casado. Tem responsabilidades, tem que trabalhar para manter a família. Está num ramo competitivo, não pode facilitar.

Eu sei, eu sei, a poesia é tentadora. Eu mesmo, na mocidade, fiz meus sonetos...

- Eurico!(a mãe)

- Nunca lhe contei isto, Marta, mas fiz. Felizmente tive um pai que me orientou e parei a tempo. A Poliana foi criada sem qualquer poesia. Qualquer sugestão de métrica, nós reprimíamos. E sempre a alertamos contra os poetas.

- Será - sugeriu a mãe - que não existe um programa de reabilitação? Alguém com quem você possa se aconselhar e ...
Mais uma vez o pai a interrompeu.
- A decisão tem que ser sua, André. E tem que ser agora. Você compreende que não podemos deixar a Poliana sair desta casa, onde sempre teve toda a segurança, para viver com um poeta. Não nos dias de hoje. Faça a sua escolha; a Poliana, uma família, uma vida normal ... ou a poesia.

André jurou que abandonaria a poesia para sempre, Poliana foi chamada, os dois foram para o apartamento novo, Poliana um pouco desconfiada, e André ouvindo a advertência, na saída: "Olhe lá, hein?" 

Hoje, sempre que fala com Poliana pelo telefone, a mãe pergunta:
- E o André?

- Está bem, mamãe.

- Nunca mais ...

- Nunca.

Às vezes, quando a família está toda reunida, André diz umas coisas que provocam troca de olhares entre os outros e a suspeita de uma recaída. Depois a Poliana assegura que aquilo não é poesia, é só o jeito dele mesmo. Mas seu Eurico e dona Marta vivem preocupados com a filha. Nas noites de lua cheia, então, dona Marta nem consegue dormir direito.


Luís Fernando Veríssimo
Revista de Domingo, Jornal do Brasil, 1993.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Graça

Tenho refletido sobre muitos assuntos relacionados à sociedade, papel da mulher, fé, função social da igreja etc.

O término da faculdade abriu para mim um leque de possibilidades para estudo. Tenho interesse em muita coisa ao mesmo tempo. Oq é uma benção e um perigo, acho.

Entrei para o campo do conhecimento há relativamente pouco tempo, estou sedenta por conhecimento, discussão, problematização, conclusões.

Bom, nem sei se alguém vê esse blog. Mas meu objetivo é organizar idéias, pincelar temas, sistematizar dúvidas, trocar idéias e sugestões de leitura. Talvez oq eu queira mesmo é só me organizar. Já tive tantos diários espirituais - de crescimento. Nunca funcionei bem com diários espirituais. Talvez aqui consiga me organizar melhor.

Vou tentar, novamente! rs

Assisti recentemente uma reflexão do Ed René Kivitz sobre a questão das mulheres, como a bíblia retratou a questão feminina, o quanto de preconceito existiu em torno da figura da mulher, e a perspectiva de Deus sobre o assunto. O nome da mensagem é: Jesus, filho de Maria. Eu simplesmente amei e preciso refletir mais sobre essa mensagem (um lembrete para mim mesma).

Bom, enviei a mensagem para uma colega do trabalho q é crente. Após dias cobrando a ela um "feedback" da mensagem, ela enfim viu e me disse: 'Carol, acho q todo extremismo é burrice, tanto o machismo quanto o feminismo. Acho q o pastor exagerou e pode estar incitando a revolta.'
Ela colocou outras coisas como a possibilidade de mensagens como essa incitarem mais a dúvida do q a fé.

Aí eu parei: 'Puxa, mas a verdade não teme questionamento, certo?' Logo agora que entrei no campo do pensamento devo me retrair para não me enrolar com minha fé? A minha experiência com Deus é muito real, oq eu deveria temer?

Conversei com outra pessoa, questionadora como eu, (ou bem pior, talvez) que me disse algo q fez sentido: 'a fé q não se abala, não se firma'. Apreciei.

Bom, cheguei em casa e dei uma conversada com Deus sobre assuntos diversos depois abri em 2 Co, 1. Olha oq estava escrito:

"Ora é Deus que faz com que nós e vós permaneçamos firmes em Cristo. Ele nos ungiu, nos selou como sua propriedade e fez habitar o Seu Espírito em nossos corações como garantia de tudo o que está por vir." (vers 21-22)

Tive minha resposta do dia. Né?



quarta-feira, 22 de junho de 2016

Como provar a existência de Deus?

Como Tomé, nos refreamos, recusamos a crer no que não vemos como pudéssemos colocar Deus num tubo de ensaio. E o intangível tivesse que ser tangível para provar o que era realmente. Há certas coisas que precisam ser acreditadas pela fé . Pois é um problema de percepção e não de prova. A beleza é uma delas. Como provar que alguma coisa é bonita? Poderão demonstrar pela razão ou lógica ou pelo intelecto que a quinta sinfonia ou a sonata ao luar são obras lindas? Poderão provar por qualquer raciocino a beleza do nascer do sol ou descrever cientificamente a suave fragrância de um buquê de violetas? Entretanto, vem professando uma fé que há 19 séculos testemunha a realidade espiritual ? E perguntam se há prova da existência de Deus . Me pedem que prove isso. Mas como provar ? Como poderia fazê-lo em minha insignificância? Que espécie de Deus eu conseguiria explicar? Seria como pedir as eles que provassem o ar em que voam dos peixes que provam o ecoando em que vive? Eu pediria a vocês que provem que vocês existem! Sim! Gostaria de ouvi-los tentarem isso. Há mistérios em nossa volta curiosos, maravilhosos, inexplicáveis! Eu gostaria que vcs tomassem como exemplo o estranho fenômeno de ficarem apaixonados. Por acaso já se perguntaram: quando me apaixonarei? Pois eu já! Perguntei a loiras e morenas, a ruivos e carecas , a todo tipo de gente e o curioso é que todos disseram a mesma coisa: não se preocupe! Você saberá. O amor como a beleza , como a suave e delicada fragrância das violetas é uma questão de percepção e de experiência. Não uma prova . Há grandes coisas pelas quais vivemos não são pela lógica mas pela vida, e essa verdade do amor e da beleza e a mesma do encontro de Deus e do conhecimento de sua presença junto a nós. Amém!
Pr Sebastião Brito Netto
 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Bertolt Brech

terça-feira, 1 de março de 2016

Como depender?

Estou lendo um livro sobre oração.
Parece que há anos sou chamada por Deus para ir além na vida devocional, mas sempre me sinto aquém do q se espera de mim. Ou do que eu  acho que poderia oferecer...

Bom, mas o livro é extremamente prático e tem me ajudado a avançar. Um trecho que li hoje me lembrou o post Ballet e dependência que escrevi em 2013. Eis o trecho:

DUAS ABORDAGENS MAL ORIENTADAS
No entanto, alguns de nós relutam em abrir-se para a orientação de Deus. Talvez conheçamos cristãos que afirmam viver assim, porém a abordagem deles não nos deixa à vontade. Parece que fizeram uma lobotomia intelectual em si mesmos, e ficam esperando que o Espírito Santo escolha suas meias de manhã e o restaurante para o jantar. Afirmam vivenciar uma orientação por hora, uma visão por dia, um milagre por semana.
Minha preocupação é que estas pessoas têm a mentalidade tão celestial que são de pouca utilidade aqui na terra. O que elas tentam mostrar como direção divina não passa, na verdade, de uma forma de irresponsabilidade bem humana. Conheci, certa vez, um pastor com mentalidade celestial. Ele ficou pasmo ao saber quanto tempo eu usava preparando cada sermão que pregava. Em geral gasto de dez a vinte horas lendo, estudando, orando e fazendo três esboços para cada sermão. Este pastor exclamou: "Você se dá a todo esse trabalho? Eu simplesmente vou para o púlpito e aguardo um milagre!"
Fui tentado a perguntar se a congregação via seus sermões como milagres. Não me entenda mal. Como expliquei no capítulo sobre a oração que move montanhas, tenho visto Deus realizar milagres de transformação de vidas no púlpito, mesmo no meu púlpito! Acho, porém, errado, você enfiar as mãos nos bolsos, seu cérebro em uma gaveta, pular da torre e esperar que Deus o segure porque você já está caindo.
Algumas pessoas, no entanto, vão para o extremo oposto quando se trata de ouvir a voz de Deus. Em uma reação à óbvia interpretação errada e abusos do ministério do Espírito Santo, muitos cristãos correm na direção contrária, tornando-se adversários do sobrenatural.
Para esses racionalistas modernos, a inspiração do Espírito Santo vai contra a natureza humana e os padrões de pensamento convencionais. Acostumados a andar pela vista, a controlar o próprio barco e a tomar decisões unilaterais, eles são escrupulosos quanto a permitir que o Espírito Santo inicie um ministério sobrenatural em suas vidas. Gostariam que o pacote fosse um pouco mais bem feito; que seu ministério fosse quantificado e descrito. O Espírito Santo parece indefinível e misterioso, o que os deixa nervosos.
Assim, quando sentem uma orientação que poderia vir do Espírito Santo, eles resistem. Depois de analisá-la, concluem: "Não é lógico, portanto, não vou prestar atenção a isto."

Do livro: Ocupado demais para deixar de orar

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Porque Serviço Social ?


Ontem participei da segunda etapa de seleção para um estágio e, nessa fase, pediram-me para escrever uma redação com o seguinte tema: “Porque você escolheu o Serviço Social como profissão?”

Eis minha resposta:

Quando fiz 20 anos surgiu uma inquietação em mim: a desigualdade social. Naquela época, eu pensava: “sou branca, de classe média, tive acesso a ótimos colégios, estou bem empregada aos 20 anos, já fiz um curso completo de inglês e tenho uma incrível gama de possibilidades à minha frente. Porque sou a minoria?”

Essa inquietação crescia dentro de mim, havia em mim um sentimento de dívida para com meus pares pois a vida havia me proporcionado muito e eu sentia a responsabilidade de retribuir à ela de alguma forma, na pessoa do meu semelhante.

Sempre compartilhei sobre essa inquietação com minha família e amigos. Já ouvi dezenas de vozes sobre esse assunto. Já fui rotulada de Madre Tereza, romântica e de ser movida pela culpa. Até que cheguei à uma conclusão: essa era uma questão minha e só eu poderia dar o direcionamento correto a esse sentimento a fim de torná-lo uma resposta para mim e para o mundo.

Foi dessa forma que aos 23 anos, optei pelo Serviço Social, para satisfazer minha necessidade de respostas para as contradições da sociedade e para me posicionar frente as mesmas, a favor daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Tenho certeza de que não posso mudar o mundo sozinha, mas minha busca definitivamente não é esta. Busco um espaço de trabalho em que o que eu faça contribua para a melhora da qualidade de vida de pessoas que nasceram em berços e Ceps menos favorecidos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Manual para jovens sonhadores

 



"Essa história me lembrou de uma experiência muito especial que eu tive há alguns anos, em uma dessas épocas em que eu estava procurando por alguma coisa que fizesse sentido. Lá estava eu, na Guatemala, com uns trinta e poucos anos passando por um dos meus muitos momentos de não saber bem

o que queria fazer da minha vida, me questionando se precisava voltar a mudar de emprego ou não e lendo todos os livros que me ajudassem, quando resolvi que a solução para meu desânimo poderia ser um veleiro. Logrei convencer duas amigas igualmente inquietas e solteironas, também meio sem rumo, a entrar na aventura comigo.
Para nossa alegria, de cara tivemos muita sorte, porque achamos um veleiro que tinha acabado de afundar e que estava sendo vendido por um preço que, dividido entre as
 três, poderíamos pagar. Detalhe: nenhuma de nós jamais tinha velejado, e achávamos que
só com uma pintura e cortinas novas o veleiro estaria pronto para navegar. Seríamos as três primeiras guatemaltecas a dar a volta ao mundo.


Bom, logo descobrimos que teríamos um belo trabalho pela frente… O sistema elétrico precisava ser completamente trocado,o mastro estava avariado e grande parte da madeira interna tinha


apodrecido, mas pelo menos o barco flutuava e tinha um motor e velas que funcionavam.

Começamos a ir todos os fins de semana trabalhar no nosso barco, e, nos outros dias, líamos todos os livros sobre velejar que conseguíamos achar. Também fizemos algumas aulas básicas de velejo e, conforme fomos aprimorando os nossos conhecimentos

marítmos, arriscamos pequenas aventuras, percorrendo baías próximas de onde nosso barco estava ancorado. E também passamos a fazer parte da comunidade da marinha e a conhecer alguns dos marinheiros, verdadeiros lobos do mar, que tinham histórias fantásticas de travessias pelo oceano.  
 
Nosso sonho era grande, e não desanimamos apesar de tudo o que precisava ser consertado e de tudo o que implicaria planejar e fazer uma viagem ao redor do mundo. E nossas vidas adquiriram uma razão de ser, de repente tínhamos um propósito pelo qual
correr atrás.

 

No fim, não conseguimos velejar além da região onde estava ancorado nosso veleiro.

De repente meu trabalho me ofereceu uma oportunidade de ir para a Nova Zelândia, que me pareceu uma forma mais rápida (e confortável) de ver o mundo, mas
nunca vou me esquecer de algumas palavras que meu pai me falou nessa ocasião:

“Que bom que você conseguiu realizar esse sonho tão cedo.

Existem pessoas que têm de esperar uma vida inteira até se
aposentar para poder viver uma experiência assim.”
 
 E pensar que eu ocultei esse veleiro por meses dos meus pais por medo do que eles falariam... Tinha que ter percebido que estava mentindo por diversão!
 
 
Até hoje, cada vez que me lembro desses dias, sinto  uma felicidade enorme de saber que consegui fazer isso. Contra tudo o que os outros pensaram de negativo, nós conseguimos viver uma vida de marinheiras malucas, levando turistas e amigos para pequenas excursões, ouvindo música enquanto as velas se inflavam de ar, improvisando nossas
refeições a bordo e acordando cedo com o movimento das ondas.

Poucas coisas se comparam a essa experiência que me deixou tantas memórias inesquecíveis e a esse sentimento indescritível que ainda tenho quando  estou fazendo algo de que realmente gosto, por mais maluco e sem cabeça que possa parecer aos outros.

Porque a única coisa mais dolorosa do que não alcançar um sonho é não correr atrás dele, desistir e se conformar sem sequer tentar, perdendo a energia e a felicidade que a aventura pode nos gerar."

Nathalie Trutmann



























 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Desconforto sadio

"Quando uma águia vai ter filhotes ele vai ate o pico mais alto de uma montanha e constrói o seu ninho.

A mãe águia constrói seu ninho com gravetos, e depois forra em cima dos gravetos com penas e folhas para

as pontas dos gravetos não machucarem seus filhotes.

Quando os filhotes nascem à mãe águia traz todos os dias o alimento dos filhotes para que eles cresçam saudáveis.

Quando os filhotes vão crescendo a mãe águia tira todas as penas do ninho e deixa apenas os gravetos para que aquele

ninho não seja mais um lugar de conforto para seus filhotes.

A mãe águia coloca então o seu filhotinho na beirada do ninho e o empurra para o precipício, assim para que ele perca o medo e voe.

Quando a mãe vê que o seu filhote esta quase chegando ao chão ela o pega com suas garras e o leva para o ninho de novo.

Só que a mãe águia não desiste ela faz o mesmo procedimento sem cessar ate que o seu filhote aprenda a bater as asas e a voar sozinho."

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Bucomaxilofacial



Hoje eu arranquei um dente siso com um profissional muito bom: Marcelo Botelho. Pra quem não sabe o nome do profissional que faz este procedimento é Bucomaxilofacial.

Depois da retirada do dente que durou uns 20 minutos (no máximo) fiquei refletindo sobre aquela profissão: cirurgião bucomaxilofacial. Fiquei pensando o que deve ter motivado aquele homem a exercer tal função. Fiquei pensando: “será que ele não cansa de arrancar dentes?”,“será que ele tem desafios nesta profissão?”, “será que ele é feliz?”, essas perguntas típicas que se fazem nas empresas, rs.

Bom, se ele não for feliz, pelo menos deve ganhar bem nesta atividade. Afinal muitos precisam de um bucomaxilofacial pelo menos umas  4 vezes na vida. E esta é uma atividade que requer estudo, especialização, um investimento que tem q ter seu retorno. Ok, ok. Ele poderia ser um assessorista, ou um auxiliar de serviços gerais daquele prédio no qual trabalha, mas a vida ou seus pais lhe deram a oportunidade de estudar e ser o tão famoso “alguém”. (Vá estudar para ser alguém na vida, meu filho – talvez ele ouvisse da sua mãe)

Bom, onde quero chegar? Nem eu sei direito. Mas essa breve reflexão me fez lembrar de uma visitante que recebi em minha casa, de outra cidade, que veio para um congresso batista sobre vocação. Ela está beirando seus 40 anos, é empregada doméstica e tem um olhar um pouquinho triste. Outra pessoa que recebi é a ministra de louvor da igreja dela, uma jovem de seus 28 anos,  que estudou música e fonoaudiologia, proveniente de uma família estruturada. Esta jovem disse em um determinado momento da nossa conversa que não queria se propor a fazer nada se não fosse para fazer com excelência.

Minha reflexão consiste em: será que alguém que trabalha para ganhar o salário mínimo e garantir sua sobrevivência tem condições de pensar em excelência, em vocação? Acho que fazer o que se gosta ou trabalhar no que se tem a tão famosa vocação é privilégio de alguns, não todos.  Isso não quer dizer que não acredite que quem ganha um salário mínimo não tenha chances de estudar ou trabalhar mesmo e lutar para ganhar mais, para se desenvolver em seus talentos, não! Mas há de se convir que as possibilidades para os dois tipos de pessoas não são tão iguais.

É aí que penso nas palavras de Jesus: “A quem muito é dado, muito será cobrado”, cobrado (creio eu)  no repartir do dinheiro, dons, amor, sorrisos, sonhos e visão. Se sou rico em algum destes pontos ou em todos, serei cobrado sobre a multiplicação destes “talentos”, o uso que faço deles.

Lembro também sobre algo que ouvi de um dos preletores do congresso sobre vocação. Ele mencionou um autor ateu: Luc Ferri (No livro: “aprendendo a viver”) que diz que o princípio de igualdade entre os homens veio do cristianismo.

Este assunto dá pano pra manga. Mas minha reflexão por hoje é esta.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cultivar a alegria de cada dia

 
" Um elemento que caracteriza a alegria é o facto dela não nos pertencer. É pessoalíssima, é completamente nossa, identifica-se connosco, mas não nos pertence. A alegria não nos pertence. A alegria atravessa-nos. A alegria é sempre um dom. A alegria nasce do acolhimento. A alegria nasce quando eu aceito construir a minha vida numa cultura de hospitalidade. Se insonorizo o meu espaço vital, se impermeabilizo a minha atenção, a alegria não me visita. A alegria é um dom da amizade acolhida.
A alegria não é programada. Não posso, por exemplo, dizer: daqui a um minuto vou-me rir. Não sei quando é que me vou rir. A alegria é um dom que me visita na surpresa, no não anunciado. E nesse sentido tenho de viver em hospitalidade. O meu coração é uma soleira, uma porta entreaberta. A minha vida vive do acolhimento amigável. Temos de adquirir uma porosidade, deixarmo-nos tocar, deixarmo-nos ligar pelo fluxo reparador da vida.
Há um filme de Ingmar Bergman em que uma personagem é uma rapariga anoréxica - e sabemos como a anorexia é uma forma de desistir da própria vida, de desinvestir afetivamente. A rapariga vai falar com um médico e ele diz-lhe isto, que também vale para nós todos: «Olha, há só um remédio para ti, só vejo um caminho: em cada dia deixa-te tocar por alguém ou por alguma coisa.» A alegria é esta hospitalidade.
Os dias sem alegria são completamente sem memória. Chegamos ao fim não lembramos um único gesto, uma única fase, um único encontro, uma única ação, não temos nada para contar. Tive de ver e de escutar muitas coisas, e de estar entre muita gente, mas não quis nada daquilo nem daqueles; não permiti que existisse um trânsito, um retorno; não abri o meu coração ... Há que transformar a nossa vida no sentido da hospitalidade. A amizade ensina-nos isso.
Não há alegria sem inocência. Mas inocência naquele sentido que apontava a escritora Cristina Campo: «Nós não nascemos inocentes, mas podemos morrer inocentes.» A inocência da infância espiritual é aquela inocência com a qual e pela qual podemos morrer: a inocência de um coração simples; da gratuidade; da confiança.
Se não tenho um coração de criança não sou herdeiro do Reino de Deus. Isto é, não sou herdeiro do reino da vida, não vejo cintilar, não vislumbro. E aqui, as crianças são exemplares porque elas entretêm-se com os pequenos nadas, que no fundo são as coisas mais sérias, as coisas donde colhem a luz. E nós precisamos disso. Precisamos dessa infância. De descobrir infâncias dentro de nós. Não é por acaso que todos os amigos são amigos da infância, mesmo aqueles que fazemos pela vida fora. A principal infância a testemunhar é essa futura.
Em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, no sarcasmo, na maledicência, no lamento, caminhemos suavemente no sentido contrário. Cresçamos na simplicidade, na gratidão, no despojamento e na confiança. A alegria tem a ver com uma essencialidade que só na pobreza espiritual se pode acolher."

José Tolentino Mendonça
In Nenhum caminho será longo, ed. Paulinas

segunda-feira, 10 de março de 2014

Humildade

"Homens e mulheres que, na Europa, poderiam escolher seu próprio círculo de amigos, acham difícil suportar e amar e manter a uni­dade do Espírito no vínculo da paz por estar próxi­mos de outros com mente incompatível. E aqueles que deveriam ter sido companheiros e ajudadores da alegria uns dos outros se tornaram um obstáculo e um enfado. E tudo pela única razão: a falta da humil­dade que se considera nada, que se regozija em tornar-se e ser considerada como a menor, e busca ape­nas, como Jesus, ser o servo, o auxiliar e confortador de outros, até dos mais fracos e mais indignos."

Andrew Murray em Humildade a beleza da Santidade

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ballet e Dependência


 
Entrei no ballet depois de mais "velha". O que tem sido motivo de alegria.

Apesar de estar um tanto perdida em relação a turma, encontro satisfação em fazer ballet e não quero parar.
:-)


Na última aula percebi algo curioso. A professora pediu para ficar parada em um determinado passo (que esqueci o nome), no qual ficamos na meia ponta, e precisamos manter o equilíbrio para não cair - o objetivo é tirar a mão da barra e se manter com os dois pés na meia ponta, com a mão para o alto, como na figura desse post - e não cair. O que ocorreu é que ela pediu para fechar os olhos nesse passo. Para minha surpresa, manter-se equilibrada com os olhos fechados é mais fácil do que com os olhos abertos. Eu achava, erroneamente, que acontecia o contrário. Mas não, a lógica do equilíbrio é outra.
 
Na mesma hora lembrei de um texto que li ontem mesmo pela manhã:


"Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel.

E disse Davi a Joabe e aos maiorais do povo: Ide, numerai a Israel, desde Berseba até Dã; e trazei-me a conta para que saiba o número deles.
Então disse Joabe: O SENHOR acrescente ao seu povo cem vezes tanto como é; porventura, ó rei meu senhor, não são todos servos de meu senhor? Por que procura isto o meu senhor? Porque seria isto causa de delito para com Israel.
Porém a palavra do rei prevaleceu contra Joabe; por isso saiu Joabe, e passou por todo o Israel; então voltou para Jerusalém."
(...)
"Então disse Davi a Deus: Gravemente pequei em fazer este negócio; porém agora sê servido tirar a iniqüidade de teu servo, porque procedi mui loucamente.
Falou, pois, o Senhor a Gade, o vidente de Davi, dizendo:
Vai, e fala a Davi, dizendo: Assim diz o Senhor: Três coisas te proponho; escolhe uma delas, para que eu ta faça.
E Gade veio a Davi, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Escolhe para ti,
Ou três anos de fome, ou que três meses sejas consumido diante dos teus adversários, e a espada de teus inimigos te alcance, ou que três dias a espada do Senhor, isto é, a peste na terra, e o anjo do Senhor destrua todos os termos de Israel; vê, pois, agora, que resposta hei de levar a quem me enviou."
(...)
"E Deus mandou um anjo a Jerusalém para a destruir; e, destruindo-a ele, o Senhor olhou, e se arrependeu daquele mal, e disse ao anjo destruidor: Basta, agora retira a tua mão. E o anjo do Senhor estava junto à eira de Ornã, o jebuseu."
(...)
"E disse Davi a Deus: Não sou eu o que disse que se contasse o povo? E eu mesmo sou o que pequei, e fiz muito mal; mas estas ovelhas que fizeram? Ah! Senhor, meu Deus, seja a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai, e não para castigo de teu povo.
Então o anjo do Senhor ordenou a Gade que dissesse a Davi para subir e levantar um altar ao Senhor na eira de Ornã, o jebuseu."
 
1 Crônicas, 21
 

Natural para Davi era pedir o número do povo, para saber com quem ele podia contar e não andar às cegas.

Mas fato é que disso Deus não se agradou, pelo contrário, se irou contra a atitude do coração de Davi. Davi estava confiando em homens e não no Seu Deus.

Relacionei o texto com minha experiência com o passo do ballet. Não foi natural p/ mim manter-me com os olhos fechados e ainda assim, manter o equilíbrio. Talvez a natureza do homem carnal não seja a dependência de um Deus invisível. Mas a única maneira de agradá-Lo é caminhando às cegas (muitas vezes), à luz da Sua orientação, em Sua dependência.

Concluo, portanto que, a solução p/ mim é o assassinato do meu eu que insiste em acreditar que sabe o que é melhor para si. O homem carnal/natural que ainda vive dentro de mim precisa morrer p/ que Ele cresça e me faça viver por fé e não por vista, no equilíbrio do Seu Reino, da Sua lógica, dos Seus caminhos e não dos meus.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Dores = ferramentas

Ele é Deus

 

 

Rose Nascimento

Deus trabalha diferente do homem, Ele sabe agir
Tem nas mãos o controle de tudo aqui
Ele vê muito além do que o homem vê
Ele fez prisioneiro ser governador
Fez menino pequeno ser um vencedor
Nas batalhas em que grandes guerreiros estavam com medo.

Ele fez moça pobre sentar-se num trono real
Pra salvar o seu povo de um homem mau
Ele chamou um leigo pra ser pregador
Escolheu a cidade menor que havia
E uma simples jovem chamada Maria
Pra nascer o Salvador do mundo numa estrebaria.

Deus levanta do monturo o necessitado
E assenta num lugar seguro e elevado
Deus escolhe o humilde, mas abate quem é exaltado
Capacita o pequeno e confunde o grande
Faz o fraco ficar forte, cheio de poder
Deus é Deus! Ele não vê o homem como a gente vê.

E quando o crente esta debaixo da unção de Deus
Ele ora e o milagre vai acontecer
Deus opera na simplicidade com muito poder
Deus trabalha diferente, usa como quer
Só precisa de um coração que tenha fé
Quem se humilha na Sua presença Ele coloca de pé.

Deus trabalha diferente do homem, Ele sabe agir.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Vista cansada



Otto Lara Resende

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.

    quinta-feira, 27 de setembro de 2012

    Coração

     
    Quanto mais amor por dentro
    Menos rejeição
    Quanto menos rejeição
    Mais espaço para o amor
    Quanto mais amor por dentro
    Mais amor por fora
    Maiores chances de dar a outra face pro inimigo
    De se importar com o invisível
    De dar a vida pelo amigo

    Coração, coração
    A partir dele flui a fonte de vida
    E só dele pode jorrar a vida que salva o mundo
    Só ele pode revolucionar a história
    E fazer a minha vida ter sentido

    "O caminho do Mestre é verdadeiramente o do coração (ou espírito). Se andarmos como Ele, devemos andar por esse nível interior. Aliás, bem poucos não compreendem essa verdade sobre Jesus. Ele salva-nos pela verdadeira restauração do coração para Deus e, então, habita ali com o seu Pai, por meio do notável Espírito divino. O coração assim renovado e habitado é a única verdadeira esperança da humanidade. " Dallas Willard, em "A Renovação do Coração"

    domingo, 23 de setembro de 2012

    Lucas 5

    “Tendo acabado de falar , disse a Simão: ‘ Vá para onde as águas são mais fundas’, e a todos: ‘Lancem as redes para a pesca’. Simão respondeu: ‘ Mestre, esforçamo-nos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, porque és tu quem está dizendo isto, vou lançar as redes’. Quando o fizeram pegaram tal quantidade de peixes que as redes começaram a rasgar-se.” 2 coisas ai: águas mais fundas e direção de Jesus. Nossas atitudes/realizações são plenamente eficazes quando somos direcionadas por Jesus. Podemos perder muito tempo e gastar muita energia tentando fazer as coisas do nosso jeito. O que me chamou atenção foi a ordem de Jesus para ir aonde as águas são mais fundas, antes de dar a direção de lançar as redes. O lugar onde encontramos a direção de Jesus, é um lugar mais profundo de envolvimento e relacionamento com Deus. É um lugar de entrega e confiança. Um lugar para ser como criança. Alguns poderiam pensar que era a maior bobagem lançar as redes novamente , tendo em vista que não pegaram nada a noite inteira. Mas Simão sabia QUEM estava falando, no lugar das águas mais fundas e decidiu confiar.

    segunda-feira, 18 de junho de 2012

    O soluço de um bilhão de almas na terra me soa aos ouvidos e comove o coração; esforço-me, pelo auxílio de Deus, para avaliar, ao menos em parte, as densas trevas, a extrema miséria e o indescritível desespero desses mil milhões de almas sem Cristo. Medita, irmão, sobre o amor do Mestre, amor profundo como o mar; contempla o horripilante espetáculo de desespero dos povos perdidos, até não poderes censurar, até não poderes descansar, até não poderes dormir. Carlos Inwood

    domingo, 15 de abril de 2012

    Gratidão

    Enxergando novas possibilidades
    Doris Defour Henry

    Era uma vez uma mulher de nome Rengetsu.
    Ela estava em peregrinação, e um dia, ao por do sol, chegou a uma vila.
    Cansada e com fome, pediu hospedagem em uma casa. Foi-lhe negado o
    pedido. Bateu numa segunda casa, numa terceira, numa quarta.
    Todos os moradores fecharam-lhe suas portas. Até que Rengetsu desistiu
    de insistir. Para uma pessoa determinada não é muito fácil desistir de insistir.
    Foi justamente quando olhou em volta e encontrou uma cerejeira dos campos
    decidindo fazer dela o seu abrigo. Era primavera, fazia frio, havia muito risco,
    animais selvagens, mas ela adormeceu ali aconchegada nas suas raízes.
    À meia noite, sentindo muito frio, acordou e viu no céu noturno da primavera,
    iluminado pelo prateado da lua, um pouco coberto pela névoa, um grande
    espetáculo da natureza: Todas as flores brancas da cerejeira tinham se tornado
    completamente abertas, exalando um doce perfume.
    Tomada por tamanha beleza, Rengetsu levantou-se e fez uma reverência em direção
    à Vila, saudando os moradores, com gratidão:

    - "Por sua enorme bondade em me recusarem hospedagem, encontrei-me sob essas
    flores, sob esse luar em névoa, nesse absoluto silêncio da noite."

    Rengetsu compreendeu, então que uma porta aparentemente fechada, pode esconder
    uma abertura para outras oportunidades. Basta para isso, mudar o ponto de vista!
    a vista de um ponto, que permite olhar o problema por ângulos ainda não contemplados.
    E aprendeu, mais uma vez que uma dor nova, diferente das já vividas no passado, mostra que o aprendizado é infinito.

    sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

    Sementes



    Ano passado passei parte do que eu conhecia a respeito do meu trabalho para uma colega nova.
    Apenas dei um pontapé, pois a menina se desenvolveu logo e por conta própria.
    Esses dias eu estava analisando o trabalho dela
    E a questionei a respeito de algo que eu mesma havia ensinado para ela.

    Em breve tudo o que teremos de nosso conhecimento serao as sementes que deixamos pelo caminho.

    quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

    Evangelismo




    Olha o q a Neide deixou pra compartilharmos:

    "Eu não evangelizo!

    Se evangelizar é encontrar uma pessoa na rua e com toda cara de pau dizer "Jesus te ama" e dar as costas, eu não evangelizo.
    ...
    Se evangelizar é tocar hino nas praças e ir para casa se achando o máximo, eu não evangelizo.

    Se evangelizar é ir numa marcha para fazer propaganda de igreja e cantores, eu não evangelizo.

    Se evangelizar servir para arrastar pessoas para igreja quando tem festinhas com comida e montar esquemas para ela se sentir bem-vinda somente naquele momento, eu não evangelizo.

    Se evangelizar é entregar folhetos que serão jogados no chão e criará mais sujeira nas ruas, eu não evangelizo.

    Se evangelizar é pregar com base para embutir culpa nas pessoas bombardeando-as com idéias de pecado e conseqüentemente o inferno para os maus e céu para os bons, eu não evangelizo.

    Se evangelizar é convencer as pessoas a se protegerem do mundo dentro de uma igreja que acaba se tornando um bunker contra toda guerra espiritual e ofensivas do diabo, eu não evangelizo.

    Se evangelizar é sistematizar o Evangelho, eu não evangelizo.

    Agora se evangelizar é caminhar junto, estar presente na vida das pessoas, ser ombro amigo, chorar e rir em vários momentos, então eu creio que eu evangelizo.
    Afinal entendo que o maior evangelismo de Cristo, foi estar ao lado, foi comer junto e presenciar toda a aflição e alegria do teu próximo.
    Creio que evangelizar é sinônimo de relacionamento. O verdadeiro evangelho não é feito de seguidores e sim de amigos.

    Portanto, se evangelizar é partilhar o pão nosso de cada dia, eu evangelizo"

    Neide: serva do Senhor que morreu aos 26 anos e dizia que queria deixar um legado: almas !